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História de Origem: The Neptunes

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Por Chris Williams.

Contos do início do mundo de Pharrell e Chad.

Nos últimos 20 anos, Virginia tem sido um viveiro de inovação musical. Missy Elliott. Timbaland. The Neptunes. Teddy Riley. D’Angelo. No mês passado, Chris Williams tomou um olhar profundo nesta área dos Estados Unidos, examinando porque lá está nascendo tantos talentos.

Chris sentou com Gene “No Malice” Thornton, do Clipse, Tammy Lucas, cantora e compositora, e Shaquan “Skillz” Lewis, um MC e ghostwriter, para conversarem sobre seus relacionamentos com o The Neptunes lá no começo de suas carreiras.

Onde e quando foi a primeira vez que você conheceu Pharrell Williams e Chad Hugo?
Gene Thornton: A primeira vez que encontrei Chad eu estava trabalhando em algumas músicas. Eu fui a uma loja de música chamado AL&M, e eu aluguei uma bateria eletrônica. Eu e meu amigo Alex temos essa bateria eletrônica, mas não sabíamos como funcionava. Então, Alex me disse: “Vamos para a casa do meu amigo. O nome dele é Chad.” Nós fomos para a casa do Chad, e ele mostrou a Alex como trabalhar no equipamento. Isso foi legal. Isso foi em 1988.

Pharrell e eu tínhamos um amigo em comum. Esse cara sempre ficava falando que eu precisava conhecer esse amigo dele porque suas batidas eram loucas. Eu era conhecido por ser um letrista. Ele ficou me dizendo isso por alguns anos. Eu estava para cima e pra baixo na orla de Virginia Beach, e é lá que todo mundo estava fazendo freestyles, raps, ou apenas curtindo. Pharrell estava lá, e me perguntou meu nome. Eu disse a ele, e ele disse, “Yo, Cam me falou muito sobre você.” Respondi: “Sim. Cam me disse muito sobre você, também.” Aconteceu então que ele e Chad eram parceiros. Daquele ponto em diante, nós sempre nos falávamos por telefone. Eu conheci Pharrell em 1990.

Tammy Lucas: Eu estava hospedada em Virginia com Teddy Riley, fazendo um trabalho para sua empresa. A escola que Pharrell e Chad frequentava era uma curta distância do nosso estúdio. Teddy começou a iniciar esses shows de talentos na escola. Esses shows eram meio chatos, e eu saí de um deles, porque minha mãe veio me visitar no dia. Quando eu voltei, eu acredito que o grupo de Pharrell foi o último a se apresentar. Lembro-me de estar sentada lá com a minha mãe e eu disse a ela: “Ele tem algo.” [Risos] Ele era o homem de frente do grupo, mas toda a vibração musical eles estavam trazendo para o palco era tão legal.

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Eles ganharam o show de talentos. Eu acho que o prêmio era conhecer Teddy Riley em pessoa e ir ao seu estúdio para gravar uma música com ele. Antes mesmo dos shows de talentos, ouvi dizer que Pharrell aparecia no estúdio por conta própria com fitas cassetes. Ele tinha muita vontade desde o início. Os vi pela primeira vez neste show de talentos no inverno de 1991.

Shaquan Lewis: A primeira vez que encontrei Pharrell foi na Universidade de Hampton. Pharrell e eu éramos os maiores fãs de A Tribe Called Quest de todos os tempos. Eu tinha um relacionamento com Q-Tip, que começou em 1992. Ele foi o principal instrumento para me colocar no The Stretch Armstrong & Bobbito Show. Ele costumava me convidar para espetáculos do Tribe quando eles estavam na Virginia, e ele me deixava fazer um rap no final. Então, eu estava no estacionamento após o show. Acabei de sair do palco e a minha galera de Richmond estava lá. Então, estava me sentindo bem sobre o meu desempenho.

Estávamos participando de uma roda de rima. Eu estava mandando uns raps com esse cara com que eu costumava rimar chamado Kalonji, e esse cara se aproximou de nós. Eu nunca vou esquecer isso. Ele estava usando botas de chuva de prata, calças pretas, um colete Donna Karan prata todo volumoso, com uma camisa preta por baixo, óculos de esqui preto e prata, e ele chegou em mim tipo, “Yo, você não estava quase agora no palco com o Tribe? Você tem que me apresentar ao Q-Tip.” Eu reagi tipo “Huh?” Ele disse: “Você tem que me apresentar ao Q-Tip. Ele tem que ouvir as minhas batidas. Eu faço batidas.” Eu estava olhando para ele, porque ele era tão diferente. Perguntei-lhe: “Qual é seu nome?” Ele respondeu, e ele provavelmente vai me matar por dizer isso, mas ele disse que seu nome era “Magnum, The Verb Lord“. Como estávamos ali de pé, o ônibus de turnê do Tribe estava no farol, prestes a virar à esquerda. Eu disse: “Yo, é o ônibus de turismo bem ali.” Ele quase chorou.

Começamos a fazer beat box e rap juntos. Ele e meu parceiro tinham um estilo sério quando eles estavam rimando juntos. Eles tinham esse estilo Keith Murray de usar palavras grandes. Eles tinham um vocabulário muito extenso. Eu fazia o beat box para eles. Aquele cara era Pharrell Williams, e foi a primeira vez que eu o conheci. Este foi no outono de 1993. Quando e eu conheci Chad, eles já estavam estabelecidos como The Neptunes. Eu encontrei Chad depois de terem feito “Superthug” do Noreaga. Eles estavam começando a ser produtores de hip-hop como The Neptunes. Eles fizeram um remix deIf You Think I’m Jiggy do The Lox, e a músca Lookin’ A Me” do Mase.”

Como era a cena do hip hop em Virginia no começo dos anos 90?
Gene Thornton: Bem, nós tínhamos nossos rappers, os caras casuais que achavam que sabiam rimar na escola. Melhorávamos um com os outros. Agora está diferente aqui embaixo. Todo mundo é um rapper agora. Até onde eu considerava hip-hop, eu só ouvia as coisas de Nova York. A única pessoa que eu conhecia de Virginia que era do hip-hop era o Skillz.

Shaquan Lewis: Eu sempre recebi mais amor de onde Pharrell e Chad estavam em Virginia Beach do que da minha cidade, que é Richmond. A partir de quando Pharrell e ele começaram a fazer sucesso com “Rump Shaker”, podíamos ver o sucesso que nos rodeava. Eu via Teddy [Riley] dando um role de Ferrari, Chauncey do Blackstreet, e todas essas centenas de milhares de dólares em carros estacionados do lado de fora do estúdio. Pudemos ver que algo perto de nós se transformava em um movimento. Virginia se tornou um viveiro de talentos, mas nós já sabíamos o que tínhamos. Eu sinto que, musicalmente, éramos tão diferente, porque nós tivemos que ser. Luke e eles tinham bass music do sul de Miami, Nova York tinha o boom bap, hardcore hip hop, Washington D.C. tinha go-go music, Baltimore tinha club music, na costa oeste tinha o G-funk, Texas tinha o seu chopped and screwed, então não podíamos fazer nada disso. Tivemos de fazer algo diferente.

Acredito que é por isso que Timbaland começou a fazer drums duplicados e samplear Godzilla, gatos e bebês em suas faixas. Tínhamos que ser diferentes. Com Pharrell e Chad, sinto que a música deles é o mais próximo que tivemos de ter um som que representava Virginia. Eu era esse pequeno rapper cabeça dura que andava por aí gritando V.A. porque eu queria representar a minha quebrada e meu estado. Mas, na minha opinião eles foram o que chegaram mais perto de fazer um som que representava o nosso estado.

Depois que você conheceu Chad, através do amigo em comum Alex, você começou a trabalhar com ele em música antes mesmo de conhecer Pharrell?
Gene Thornton: Chad e eu mantivemos contato. Chad sempre vai contar essa história. Quando cheguei à sua casa pela primeira vez, e isso é tão estereotipado, eles tinham um pouco de frango no forno, e você tinha que passar pela cozinha até chegar ao sótão onde era o estúdio dele, e como eu estava andando pela cozinha, peguei um pedaço de frango. Subi até o sotão comendo frango [risos]. Antes mesmo de eu conhecê-lo, eu estava comendo seu frango. Ele nunca me deixa essa história. [risos] Eu não sei por que fiz isso. Isto lhe diz onde minha cabeça estava naquele tempo.

Pode descrever como era o estúdio no sótão de Chad?
Gene Thornton: Realizamos tanta coisa naquele sótão. O sótão não se parecia com um sótão. Era uma sala acarpetada. Era perfeito. Equipamentos do Chad estava por todo lugar. Ele tinha três teclados em um rack. Seu teclado era um ASR-10.

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Tammy Lucas: Também era o quarto dele. Ele tinha um teclado, um equipamento de gravação, e microfones. Ali era onde fizemos tudo por um bom tempo. Teddy deixou a gente gravar algumas músicas do meu projeto no seu estúdio Future Recording Studios. Embora, a maioria das gravações tivessem sido feitas na casa do Chad.

Todas as primeiras gravações com Pharrell e Chad foram feitas na casa do Chad?
Gene Thornton: Sim! Tudo era sempre feito no barraco do Chad. Lembro-me certinho de como os pais dele apoiavam o que estávamos fazendo. Toda vez que íamos na casa deles, eramos muito bem recebidos e eles deixavam a gente subir até o sótão. Eles sabiam porque estávamos lá. Isso foi antes de nós ganharmos qualquer tipo de dinheiro. Não importa que horas eram eles sempre eram receptivos, e eles estavam sempre super legais. Eles foram a um grande exemplo do que é apoio para nós. O que eles fizeram foi tão crucial para nos tornar quem somos e para realizar as contribuições que fizemos para o jogo da música. Isso é algo que as pessoas nunca vão ver ou ouvir falar. Estou aqui para dizer em primeira mão que, sem eles, nada disto teria sido possível.

Quando você começou a trabalhar com Pharrell e Chad, fez você acreditava que você e seu irmão estavam para se tornarem artistas bem sucedidos?
Gene Thornton: Hip hop sempre foi um hobby para mim. Eu realmente acreditava que isso era algo que eu poderia fazer, mas eu estava em Virginia e não foi aqui que começou nada disso, esse tipo de coisa só acontecia nas grandes cidades. Quando eu considerei fazer música, somente aconteceu porque um dos meus manos disse que encontrou um cara que poderia fazer batidas. Isso foi quando eu estava no colégio. Ele disse: “Eu sei que você realmente não faz rap porque você nunca gosta das batidas de ninguém, mas eu achei esse cara, e ele faz boas batidas.” O cara era Timbaland, mas seu nome era DJ Timmy Tim na época. Tim e eu fazíamos música quando moleques, quando estávamos escola juntos. Tínhamos em um grupo naquele tempo. Tim fazia batidas para toda a turma. Todo mundo da gangue tinha um parceiro. Fomos chamados DDP que significava Def Dual Productions. Ele fez batidas para todos nós.

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Essa foi a primeira vez que eu pensei em ser um rapper. Quando eu conheci Timbaland, não conhecia Pharrell e Chad ainda. Pharrell e Tim se conheciam porque eles iam pra mesma igreja. Timbaland morava atrás da casa que crescemos. Onde a gente costumava fazer nossas correrias. Ele morava em um condomínio lá. Fazíamos nossas correrias em um lugar chamado Bridle Creek. Então, quando conheci e comecei a trabalhar com Chad e Pharrell, pensei que poderia ser uma possibilidade. Eles estava sempre praticando. Não paravam! Aonde eles estão agora é um reflexo de todo o trabalho duro que eles fizeram quando mais novos. Faz todo o sentido.

Quando foi a primeira vez que colaborou no estúdio com Pharrell e Chad?
Gene Thornton: Virou um costume ir à casa do Chad para fazer demos. Lembro-me claramente de pegar uma batida do Pharrell e começar a escrever em cima dela, e, em seguida, ir à casa de Chad para rimar e gravar. Isso estava acontecendo de maneira simples. Essas primeiras sessões de estúdio eram um barril cheio de risadas. Nunca foi um momento de tédio. Eu tenho CDs de nossas sessões em que tínhamos que estar trabalhando, mas era sessões cheias de piadas. Sempre algo cômico acontecia. Pharrell fazia a percussão e Chad chegava com os acordes. Foi assim que a química se desenvolveu entre eles. Eu vi Pharrell tocar teclados e bateria. Chad conseguia tocar qualquer coisa. Ele tocava a flauta, saxofone, guitarra e outros instrumentos que você nunca ouviu falar.

Uma coisa que posso falar sobre Pharrell é que ele sempre foi um visionário. Eu achava que ele era louco. Ele dizia algumas coisas as vezes, e eu dizia para mim mesmo que era muito forçado, mas literalmente ele via coisas. Ele via a música, o vídeo, e como as pessoas iriam responder a essas coisas. O céu era o limite para ele. Foi a primeira vez que testemunhei que a vida é o que você faz dela. Eu não sabia de onde ele pegava suas direções, mas eu prestava a atenção.

Um dia, meu irmão estava lá na casa do Chad e decidiu que ia dar uma chance ao rap. Fizemos uma música juntos chamada “Thief in the Night”. A canção era comigo, meu irmão, Pharrell, e essa garota chamada Tracy. Nós achamos que a música era realmente muito boa. O que realmente acendeu o fogo, quando fizemos nossas primeiras canções, nós íamos até Nova York para vendê-las para as gravadoras e conversar com os representantes de selos, e o fato de estar à beira de conseguir um sim ou não deles era empolgante para nós.

Eles sempre amavam as músicas, mas tinha a parte da grana pra lidar. Chad e Pharrell passaram por tanta coisa e aprenderam tanto quando estiveram com Teddy [Riley], que eles sabiam o que era aceitável e inaceitável. Era um dos maiores bens que tínhamos em nossa trilha para a indústria.

Alguma vez você trabalhou com Tammy Lucas quando ela residia em Virginia Beach?
Gene Thornton: Sim! Eu não sei se fizemos algum trabalho juntos, mas éramos realmente bons amigos. A gente se divertiu junto. Ela era como a nossa irmã mais velha.

Quando você saiu do Harlem para ir à Virginia Beach, havia algum tipo de uma cena musical acontecendo na área?
Tammy Lucas: Não que eu soubesse. Parece que toda a atenção estava em Teddy e em nós. Eu nasci e fui criada no Harlem. Quando eu cheguei lá, era muito tranquilo e não havia muita música acontecendo ou qualquer outra coisa. [risos] Foi uma mudança drástica, mas aprendi a amar. Acabei ficando lá entre 1991 e final de 1997. Muito disso tinha a ver com meu relacionamento com o The Neptunes. A primeira razão que eu fui para lá foi por causa de Teddy, mas a segunda razão foi o meu relacionamento de trabalho contínuo com o The Neptunes. Começamos a construir nossa própria relação, mesmo depois que deixamos Teddy.

Fale-me sobre o momento em que você começou a trabalhar em músicas com Pharrell e Chad e mostrou-lhes como compor canções logo depois que você os deixou sob suas asas.
Tammy Lucas: Quando eu não estava escrevendo coisas para o Teddy, ou cantando, eu tinha muito tempo livre, porque eu era nova na cidade naquela época. Pharrell era muito ansioso e curioso; ele perguntava um monte de coisas. Ele começou a me ligar e fazer perguntas sobre tudo. Eu compartilhei com ele informações sobre ASCAP e BMI e direitos autorais. Não foi apenas sobre fazer música, mas falávamos sobre canções diferentes. Ele me perguntava sobre músicas que eu fiz com Teddy. Então, ele, Chad, e sua pequena equipe começou a ir até a minha casa o tempo todo. É assim que nossa relação de trabalho começou. Eu estava trabalhando no meu projeto na época. Em seguida, tornou-se uma daqueles momentos em que Teddy estava muito ocupado com outros projetos e artistas como eu, Pharrell, Chad, e outros tiveram que esperar para obter a sua atenção. É por isso que todos nós começamos a trabalhar juntos, porque tínhamos muito tempo livre enquanto esperávamos.

Qual era a rotina diária quando você estava trabalhando em material novo com eles?
Tammy Lucas: Pharrell era o líder da matilha. Ele sempre teve um monte de idéias. Ele estava sempre fazendo uma nova mixtape. Chad e eu somos ambos piscianos. Acho que fazíamos uma grande parceria. Pharrell gostava de fazer um monte de coisas que era diferente. Sua empresa, i am OTHER, é algo que eu vi desde o início. Ele sempre foi assim. Acho que o tempo todo as pessoas só querem fazer coisas normais. Acho que isso é o que nos fez combinar tanto, porque queríamos ser diferentes. Ele tinha sua própria maneira de fazer as coisas, mesmo quando eu e Chad e não começava algo, nós parecíamos sempre estar em uma certa sintonia com ele. Pharrell tinha um monte de ideias desde o início. Ele pensava à frente. Era um visionário. Ele usava um monte de roupas e estilos malucos. [Risos] Seus amigos perguntavam: “O que é isso?” Ele respondia: “Você nunca viu isso. Você não tá ligado nisso ainda”. Ele usava as roupas dele com orgulho. É uma daquelas coisas que quando as pessoas me perguntam: “As roupas são diferentes agora?” Não! Elas são exatamente da mesma maneira que eram antes dele se tornar famoso.

Vocês chegaram a trabalhar com algum talento local que estava surgindo em Virginia durante esse período?
Tammy Lucas: Uma das coisas geniais que Pharrell fez na época foi começar a trabalhar com pessoas que ele já conhecia, e eles eram do Future Recording Studios. Ele tinha uma reputação quando ele estava trabalhando lá, mas, mesmo depois que ele deixou Future, ele ainda tinha contato com outros artistas. Ele tinha um primo que tinha uma habilidade para cantar, e fizemos algumas músicas para ele. Nós trabalhamos em canções para alguns rappers da área. Foi assim que ele começou a trabalhar com Terrence e Gene [Thornton], o Clipse. Eles viviam em Virginia Beach.

Quando conheci pela primeira vez o Pharrell e o Chad, eles ainda não eram o The Neptunes. Eu não vou levar crédito por esse nome, mas o que vou dizer é que quando me disseram seu nome original, eu disse a eles, “Mano, esse nome de vocês não vai funcionar.” [risadas] Eu atingi eles com isso. Ele me ligava todos os dias porque éramos amigos. Ele dizia: “Tam, é nisso que estou trabalhando agora. O que você acha?” Ele fazia isso com todos. Mesmo quando ele estava com o Teddy, ele perguntava para o Markel ou Teddy, “O que vocês pensam sobre isso?” Ele queria ouvir o que os outros pensavam porque quando você está fazendo música, você está tentando vender para as outras pessoas e não para você mesmo.

O Pharrell ou Chad já mencionavam Star Trak como um conceito enquanto você estava trabalhando com eles no começo?
Gene Thornton: Pharrell sempre foi muito lunático, com um tipo de personalidade fora deste mundo. Era Chase Chad (Chad Perseguidor), The Clipse, que representava um eclipse total, The Neptunes representava o espaço, e Tammy Lucas era a Vênus, que também estava no espaço. Era apenas essa coisa espacial. Eu sabia que seria Star Trak desde o início. Isso representava quem éramos e quem somos hoje. Foi um grande movimento.

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Quando você olha para trás e percebe o impacto dos Virginianos (nascidos no estado de Virginia, EUA) têm feito sobre a cultura popular ao longo dos últimos vinte anos, você pode descrever como era ser parte de um movimento musical que, não apenas mudou a percepção sobre Virginia, como também o som geral da música?
Shaquan Lewis: Tem sido uma experiência especial. Eu vi isso quando Missy e Timbaland se juntaram com Devante Swing, enquanto Pharrell e Chad estavam aprendendo com Teddy Riley, D’Angelo estava sentado em uma sala estudando Prince e George Clinton, e eu estava aprendendo com Q-Tip. Nós estávamos prestando atenção nas pessoas que vieram antes da gente, mas sabíamos que não poderíamos fazer exatamente o que eles estavam fazendo. Ver a Missy se tornar uma superstar, e ver como Timbaland mudou o som da música. Ver Pharrell e Chad controlar quase metade de tudo que tocava na rádio em um certo momento, era insano. D’Angelo foi o primeiro artista que vi conquistar o sucesso. Ele não foi um fiasco. Ele realmente foi lá e venceu. E eu estava carregando uma bandeira do estado e gritando V.A – Virginia.

Hoje em dia eu me apresento no exterior, em lugares como Japão, e eles vêm até a mim e pedem para assinar o meu primeiro álbum em vinil. Participar de uma experiência como essa é algo que ninguém pode tirar de mim. Nós fomos os precursores para Trey Songz e Chris Brown. O fato de termos dito desde o começo que éramos de Virginia, tornou OK para que outros artistas pudessem dizer que também eram. Não é piegas dizer que você é de Virginia hoje em dia. Isso significa alguma coisa. Lembro-me do tempo que não significava coisa alguma.

Fonte: RedBullMusicAcademy

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