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Clones Especial: O Que Eu Sinto Quando Ouço “The Neptunes Present Clones”

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Concluindo a sequência de posts especiais para a semana “Clones”, que durou mais de uma semana, apresento as minhas impressões do álbum faixa a faixa. Então, coloquem o CD para tocar e leiam o que tenho a dizer sobre ele.

1. The Neptunes – “Intro”: Tudo que eu tinha para falar dessa maravilha, falei AQUI.

2. Busta Rhymes – “Light Your Ass On Fire”: eu adoro o que os caras fizeram no instrumental dessa música. O jeito que começa é uma extensão da Intro. É como se Light Your Ass On Fire fosse a filha da Intro. Mas, cresceu mais e foi ver o mundo. Ganhou asas. Ou melhor, ganhou uma nave espacial e começou a funkear Kraftwerk no espaço. Temos Busta fazendo o que Busta faz. Ele está tão agressivo e sexual no seu flow que nem precisa saber o que exatamente a letra diz, você simplesmente sabe que ele que pegar uma mulher e “Light That Ass On Fire”.
O detalhe que mais gosto: a maneira como o The Neptunes utilizaram uma voz feminina no refrão, que soa quase como um sample dizendo “Light Your Ass On Fire” e vai se misturando com a voz do Pharrell.

3. Clipse – “Blaze Of Glory” (feat. Ab Liva & Pharrell): Loop no trompete e depois o ruído como se tempestade estivesse vindo por ai! É como Pharrell diz no seu verso “First the firing then the siren you’ll be hearin’Your man got a few heartbeats left they fearin'”. Ou seja, prepara que vem porrada! O jeito que eles usaram os trompetes, os fazendo baterem mais forte do que o 808s é foda! Faz você sentir esse impulso como se estivesse indo para batalha.  Eu consigo ouvir esse instrumental como trilha sonora de uma luta de boxe: a entrada do lutador, o anúncio da luta, o gingado dos boxeadores, os jabs, as esquivas. Mas, vamos falar da letra. PQP! Pusha T, Ab-Liva e Malice. Que trio! Destaque total para o verso do Malice. O flow dele está impecável. O começo já é foda:
“I’m for that hit rich
Quick shit,
For that quick lick
For that quick Vick fucker,
I ain’t for the bullshit”
Isso aqui é sensacional. O Rapgenius, site pois a única missão é explicar letras de músicas, fala que Malice está dizendo que ele quer ficar rico rápido como Michael Vick, o mais rápido quaterback da NFL de todos os tempos. Mas como Malice fazia isso? Vendendo cocaína. É ai que ele fala “for that quick lick” (para aquela lambida rápida), que pode ser alusão ao usuário de drogas que fica lambendo os beiços rapidamente quando está alto. E quando ele fala “for that quick vick”, também é uma alusão ao usuário de pó que usa Vick Vaporub nasal para descongestionar seu nariz. Double meaning!!! PESADO!

4. Ludacris – “It Wasn’t Us” (feat. I-20): Cheia de tremores e super intensa, essa base seria perfeita se um dos Looney Tunes decidisse fazer um rap. Até a letra poderia ser algo que um Pernalonga da quebrada poderia dizer. O coelho é famoso por ser muito esperto para se dar mal. Luda fala sobre isso. Que ele faz tudo que os rappers fazem, consegue tudo: dinheiro, mulheres e fama. Mas, alguns deles se dão mal. Porém, isso não acontece com ele e nem com sua trupe. Mesmo assim, a letra é fraca e, se não fosse a base e a voz de Ludacris, a música seria motivo de fast foward.

5. Pharrell Williams – “Frontin'” (feat. Jay Z): comentarei apenas sobre três coisas nessa, porque Frontin’ não precisa de comentários. Ela é TOP 10 The Neptunes! Vocês sabem disso! Vamos lá:
1. Como Pharrell consegue dizer que vai “rasgar a bunda da garota” e soar tão fofo, e até charmoso?
2. E quando chega o bridge e ouvimos o sample do baixo de “I Can’t Help It” do Michael Jackson?
3. E o verso do Jay Z?
PS: tenho que confessar! Não consigo ouvir essa música sem fazer as danças de pescoço do Pharrell.

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6. Vanessa Marquez – “Good Girl”: 808s!!!!!!! Boom! Mas é só isso. Tudo que essa música tem é uma boa sequencia de 808s e instrumentos de corda. Parece um tipo de remix de “I Still Love You” do 702. E por mais que a voz de Vanessa seja muito agradável, os vocais não impressionam, a não ser pelo arranjo do bridge.

7. Nelly – “If”: Rap com grande toque de sons Pop. Exatamente o que o Nelly faz. O flow e melodia do rapper agradam junto com o teclado suave. Mas, Nelly deixou a desejar em seus versos. E o instrumental é repetido e sem grande destaque.
Detalhe que gosto: quando só fica percussão e voz no bridge.

8. Rosco P. Coldchain – “Hot” (feat. Pusha T & Boo Bonic): base minimalista homenageando o hip-hop dos anos 80 e Bestie Boys ao mesmo tempo. Fizeram até uns scratchs. Rosco fala que ele é Da Vinci, mas não o faça pintar um quadro para te explicar o que está “pegando”. Melhor não mesmo. P. Coldchain está preso por ter matado alguns caras por aí. Essa música parece mediana no meio do rap-pop do Nelly e do instrumental meio-orquestrado de “It Blows My Mind”, mas não deixa isso afetar seus ouvidos. Ouça umas 3 vezes em seguida e você sentira a rua em você.

9. Snoop Dogg – “It Blows My Mind”: a música já começa soando como uma abertura de programa antigo. E parece vir do mesmo sample do teclado de “Drop It Like It’s Hot”. É um instrumento de sopro, que Chad deve ter composto, e funciona bem como break para os 808s não parecerem tão repetitivos. O instrumental é magnífico! Pharrell e Chad fizeram um trabalho aqui que de “Clone” não tem nada. DNA puro! Os arranjos do refrão e ponte tem todo o tom “fanfarrão” de Snoop. Os sons estranhos e sintetizados do final são perfeitos para o tema da música. O rapper compôs um ótimo flow, e rápido, mesmo se tratando de “maconha music”. Sei que isso não fará sentido, mas tente sentir: escutar essa música fumado, provavelmente fará você ouvi-la não só pelo o ouvido, mas por todas as partes do seu corpo.

10. Spymob – “Half-Steering” e 11. The High Speed Scene – “Fuck N’ Spend”: o problema dessas músicas, aos meus ouvidos, é que elas não foram inseridas bem no álbum. É um ruído na comunicação entre o The Neptunes e o ouvinte. Talvez se “Loser”, a faixa depois delas, viesse antes. Infelizmente:

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12. N*E*R*D – “Loser” (feat. Clipse): trilha sonora de uma revolução! N*E*R*D sabe como mover a molecada. Seja na letra, dizendo que “não seremos perdedores”, ou na percussão e no soar dos sintetizadores que parecem dizer “Vamos? Vamos? VAMOS?” Sem falar nos “YEAH” do Shae. Ótimos arranjos vocais no refrão. Letra motivacional dos irmãos Thornton.
Detalhes que gosto: os vocais sintetizados de Pharrell falando “wooo wooo woooo”, e os sons distorcidos do final.

13. Fam-Lay – “Rock ‘N’ Roll”: trilha sonora de beco escuro sem saída de quebrada! é como se se algo sério e pesado fosse acontecer. A percussão é ríspida e os sintetizadores soam como violinos é trilha sonora de beco escuro sem saída em alguma quebrada.
infelizmente, Fam-Lay não é um super rapper. É um rapper 5/10. Mas, o The Neptunes conseguiu tirar o melhor dele nessa música. E o jeito que o silêncio enfatiza certas linhas do rapper (“Hustlin’’s in my veins, you cannot stop it/ Walking down the block with life in my pocket”) faz Fam parecer ter um dos melhores jogos de palavras de 2004.

14. Super Cat “The Don of Dons (Put De Ting Pon Dem)” (feat. Jadakiss): eu adoraria ter só o instrumental dessa música. Não me levem a mal, mas odeio esse estilo Ragga/Reggaeton/Sean Paul de cantar. Mas o dançante e todo-groove instrumental salva meus ouvidos: platinelas, sintetizadores inversos, baixo quase como percussão. E os gritos do Pharrell, que soam bizarros, mas acabam se encaixam otimamente na base. deve ser a faixa que mais dei skip do álbum.

15. Clipse – “Hot Damn” (feat. Ab Liva, Pharrell & Rosco P. Coldchain): “Now they’re saying we’re too harsh! New verses, please! C’mom!” Seja lá quem falou que esses caras estão “muito HARSH”, está totalmente certo. Essa base é foda. Mereceu novos versos. MELHORES versos, se você me perguntar. E talvez, na minha opinião, essa seja a melhor música do álbum. (Confesso que é difícil decidir). Sinto novamente que as “buzinas” são de guerra. Porém, não é uma guerra de garotos como em Loser, mas dos caras do gueto. A base é bem polida: ouro puro. Mas, quando você ouve os versos de Pusha, Malice, Liva e Rosco é como se jogassem essa barra de ouro no barro e a enterrasse. Straight street ghetto shit!
Detalhe que mais gosto: verso rápido do Pharrell está com um flow tão bom que eu sempre fico:

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16. N.O.R.E – “Put ‘Em Up” (feat. Pharrell): música de pista de dança com a negrada toda! Começa a tocar e seu corpo reage instantaneamente Essa música quase cai no Pop. E funciona melhor num bom headphone ou num estéreo. Em fones de ouvido fraco é skip na certa.

17. Dirt McGirt – “Pop Shit”: POP SHIT NIGGAS WHASSSUUUP!!! *sirenes* Cara! Olha esse refrão!!?? Ouço Looney Tunes de novo! Mas, dessa vez no Iraque e vandalizando geral! (Nem ouse perguntar). Essa música já é empolgante. Aí vemos ESSE vídeo de estúdio. Você arregala os olhos e começa a bater sua cabeça como se estivesse brigando com o ar. Trilha sonora de bate-cabeça. Ol’ Dirt Bastard sabia injetar adrenalina em suas rimas.

18. Kelis – “Popular Thug” (feat. Nas): infelizmente eu não vejo atrativos no rapper do Queens. O álbum acaba, para mim, no ODB quebrando tudo. Não só pelo Nas, mas essa música saiu antes no primeiro álbum da Kelis, o Wanderland. A primeira versão tem Pusha T, na qual eu prefiro. Desculpem-me os que gostam. Acho essa faixa mediana . Talvez deva ser o Redbull aos ouvidos que Pop Shit oferece para nós antes dessa.

Eu não gosto muito de reviews, confesso. E eu nunca escreveria um sem escutar um álbum por pelo menos umas 100 vezes, rs. Eu não tenho esse “ouvido” que críticos dizem que têm. Fora que às vezes opiniões mudam sobre certas músicas. E percebam: eu não escrevi “o que eu acho do Clones”, no título. Mas, “o que eu SINTO”. Tudo que disse acima é o que eu sinto quando as ouço. Pharrell Williams e Chad Hugo sabem aflorar sentimentos aos meus ouvidos como ninguém. E esse álbum faz muito isso comigo. É o que eu acho sensacional nele. Todos essas sonoridades, estilos, barulhos, vozes, melodias, etc.

Uma das melhores coisas do álbum, que também deve ser o motivo pelo qual eu sou um grande fã do The Neptunes: a habilidade do duo de se adaptar a vários estilos e produzirem bases tão versáteis. Quando você ouve “Blaze Of Glory” e ou “Hot”, faixas totalmente do hip-hop, e “Frontin'” e ou “Loser” no mesmo álbum, e, em um contexto geral, não soar estranho, você sabe que está ouvindo um disco bem produzido e editado. Chad Hugo e Pharrell Williams sempre se adaptam a um gênero musical e nunca o contrário. Eles não são o The Neptunes por acaso. Eles usam o nome do Planeta Netuno, ou Planeta Água, porque é o conceito de trabalho deles. Eles são, parafraseando Bruce Lee, “…amorfo como a água. Você coloca a água em um copo e ela se torna o copo. Você coloca a água em uma garrafa e ela se torna a garrafa. […] Água pode fluir, a água pode destruir. Seja água meu amigo”. Os caras sabem fazer isso! As bases do The Neptunes fluem, e definitivamente, destroem!

         

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